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Pólvoras e Sangue - Capítulo 5 - “In arenas he kills for a prize”

Mateus olha pela janela. Um Vectra 2.6 preto. Estranho, há dias que este carro está parado do outro lado da rua. Ele fecha as cortinas não antes de regar as Hortênsia, os lírios e o oleandro. O chiado do aparelho de som indica que o disco acabou. Num armário empoeirado, a coleção que outrora pertencia a seu irmão. Ele saca o "Ummagumma" e volta a seus afazeres. “A Academia precisa de mim, mais do que nunca”. Nada fará Mateus se distrair de sua missão. Mateus mora numa casa de dois pavimentos. Comprou-a de um rapaz que tinha a recebido como herança. À frente, um belo jardim com hortas, flores e árvores frutíferas e várias frutas a estragar. No primeiro andar, uma casa cheia de bibelôs e porta-retratos de lojas de conveniências. No de cima, plantas e flores espalhadas por todos os cômodos, no quarto, Bicos de Bunsen, balança digital, tubos de ensaios e pipetas. Um chiado de algo a cozinhar e um doce aroma de muitas substâncias venenosas. E de lá ele vigia o carro. Ele ouve pass…

Linhas de Um Tempo Esquecido - Capítulo 04 - "Sede, deusa gentil, sede clemente!"

Antes leia:
http://roidesmariola.blogspot.com.br/2017/03/linhas-de-um-tempo-esquecido-capitulo-3.html

Sim. Eu alertei-lhes desde o início sobre as loucuras de Hastan. Mas, se você chegou até aqui, posso entender que pouca coisa não lhe amedronta. Então, vale outro alerta. A história que se segue é um tanto repulsiva e nauseante, tanto que, por anos escondi-a em meus pensamentos mais recalcados. Depois de ponderar ao máximo, creio que contá-la será necessário para que eu possa aprender a viver com a vergonha e que possamos caminhar com nossa narrativa. Quer continuar? Por conta e risco. Há alguns anos, sob uma curiosidade tremenda e duvidar das linhas que lia nos diários de Hastan, resolvi procurar a tal velha que mastigava plantas alucinógenas. E, entre lendas e histórias de acampamentos achei uma pista. Uma vila, aos pés de Mont Blanc foi meu último refúgio antes de tomar coragem e ir ao encontro da velha. Antes de partir, um senhor que me cedera abrigo (sob efeitos de hipnose, claro),…

Inquisições Modernas

2005. 12:37 PM. O ônibus sobe o morro trazendo os alunos à mais um dia de saber e puberdade. Não muito longe dali, o telefone toca e ele atende sem demora. Do outro lado da linha: _Alô. Tá certo pra hoje? - O chacoalhar de correntes peculiar de orelhão. Ao fundo, risos e gritarias. _Certo para o quê? - Pergunta ele, esperando a senha. _Para o piquenique. - O outro responde, utilizando agora do password recentemente (e necessariamente) criado. _Certo, Anarquista Valente. Às 15, na toca do Lobo Solitário. Pode ser? _Sim, Grande Mestre. As três últimas aulas são de Física e Matemática. Já passei em ambas. _Ok, então. Vamos terminar aquela missão nesta tarde.
Grande Mestre desliga o aparelho, sobe as escadas que dão acesso ao terraço e de lá, dois assovios curtos e agudos seguidos por um outro mais longo e em mesmo tom. Ele espera por um instante. Três assovios iguais aos primeiros rompem o silêncio. Do vizinho, uma porta se abre: _Certo para o piquenique, Grande Mestre. - Um rapaz, pergunta. En…

Noites Nefastas - Capítulo 3 - Nunca Mais

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Antes leia: http://roidesmariola.blogspot.com.br/2017/03/noites-nefastas-interludio-mentes-e.html


 "Sobre Morpheus", você diz. O que quer saber sobre Morpheus? Sobre sua petulância e arrogância destemida? De sua presença maculada e fria? Ou de seu terno branco e roto? Eu tenho outra história melhor para você, se você quiser. Um Morpheus poeta e romântico. Um sofrido vampiro perdido num tempo que não vale a pena viver. Pode ser? Então vamos lá. Há anos, eu encontrei em uma velha caixa de madeira com trincos gastos uma pilha de papéis escrito a pena. As iniciais MD fizeram-me crer que seja anotações de Morpheus. Lhe mostrarei apenas uma, uma por vez:

"Parei de não tentar magoar as pessoas. Que se danem as vírgulas erradas e as concepções dúbias. Se não foi a minha intenção, não ligo para interpretações alheias. Não procuro meu lugar no céu e às vezes faço por picardia mesmo. Gosto de roubar quando jogo não pelo prazer da vitória e sim de não ser pego pela infração. Parei de…

Pólvoras e Sangue - Capítulo 4 - Liberdade Eterna

Antes leia: http://roidesmariola.blogspot.com.br/2017/02/polvoras-e-sangue-capitulo-3-uma-fuga.html

_Levanta, pai. Eles chegaram. O homem cruzara todo o vale e montanha a pé. Vestido em rota malha outrora branca, agora marcada pelo amarelo da poeira. Ao seu lado, sua companheira. _Papai está lá dentro. - Diz a menina, assustada. Debaixo do capuz, olhos negros e finos lábios vermelhoscomo um corte preciso de navalha. A desgraça parecia que rondava aquela família. Há dois anos, o pai voltara da guerra e as mazelas da guerra continuavam presentes. A morte da mãe e a doença do pai agravara. A menina, única filha, cuidava do pai e da pequena roça que mantinham com tanto sufoco. Ele entra. A mulher segura as mãos da menina. _Aconteça o que acontecer, não deixe ninguém entrar. - uma voz gutural vinda de dentro do capuz. _Mas seja breve. Nosso tempo está acabando. Ele entra no velho casebre. A noite sem estrelas e sem lua. O silêncio mortal. O moribundo se agarra em uma linha sensível de esperança: aq…

Noites Nefastas - Interlúdio -"Mentes e Vícios"

Antes disso, leia: 
http://roidesmariola.blogspot.com.br/2017/01/noites-nefastas-capitulo-2-solidao.html





Theodoro insiste em me dizer que sou um pai deveras protetor, e que beiro o sadismo às vezes. Tenho que admitir que, como falei anteriormente, enquanto vivo, eu era um estudioso dos vícios humanos. Tudo bem, meus objetos de estudos eram os mortos, sim. Mas o que quero dizer é que há um labirinto lá fora, meu amigo. Um labirinto que faz nos acreditar que sempre percorremos o caminho correto. Sem mais, Theodoro. Você não sairá de casa esta noite, todavia, peço que dê só este passo. Apenas mais um passo. Theodoro. Eu sei que você conhece a sociedade humana, suas leis dinâmicas, físicas e políticas, seus vícios e necessidades. Em certos aspectos, você conhece até a moralidade dogmática e ideológica dos homens, e por isso essa vontade em sair por aí. Esqueça! Você não é mais humano. Somos monstros; não importa a trilha que queira seguir, não importa o remorso latente e a sangria desse remo…

Navegar É Preciso #1

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Como diria o grande Pompeu (sim, o Pompeu, não o Pessoa), "Navegar é preciso, viver não é preciso", segue links de nosso grandioso mundo do RPG. Portanto, cruzem o umbral, invoquem o portal ou simplesmente cliquem no link:
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